Rescisão

Demissão por acordo: as contas antes de aceitar

Quanto você ganha e quanto perde na rescisão consensual, a ausência de seguro-desemprego e a prática ilegal do acordo simulado.

Atualizado em 26 de agosto de 2026 · Tabelas de 2026

Criada pela reforma trabalhista de 2017, a rescisão por acordo mútuo deu forma legal a algo que já acontecia informalmente: o desligamento negociado entre as partes. Antes dela, empresa e trabalhador que quisessem encerrar a relação de comum acordo recorriam a simulações — normalmente uma demissão "de mentira" com devolução da multa por fora.

O que o artigo 484-A garante

VerbaNo acordoNa dispensa comum
Aviso prévio indenizado50%100%
Multa do FGTS20%40%
Saque do FGTS80%100%
Férias e 13º proporcionaisintegraisintegrais
Seguro-desempregonãosim

Se o aviso for trabalhado, ele é integral — a redução pela metade só se aplica ao aviso indenizado.

A conta que decide

Considere alguém com salário de R$3.000, três anos de casa e R$8.600 de saldo no FGTS.

Dispensa sem justa causa

Acordo mútuo

Diferença de mais de R$14 mil — e a maior parte dela vem justamente do seguro-desemprego, que costuma ser esquecido na negociação.

Quando o acordo faz sentido

Apesar da diferença, há situações em que aceitar é racional:

A comparação correta depende da sua alternativa real. Se a empresa demitiria você de qualquer jeito, o acordo é pior. Se a alternativa é pedir demissão, é melhor.

O acordo simulado é fraude

Persiste no mercado a prática de registrar como dispensa sem justa causa um desligamento que na verdade foi negociado, com o trabalhador devolvendo parte da multa em dinheiro. Ou o inverso: registrar como acordo uma demissão que partiu unicamente da empresa.

As duas condutas são fraude. A primeira lesa o FGTS e o seguro-desemprego; a segunda retira do trabalhador direitos que seriam devidos. Ambas podem gerar responsabilização, devolução de valores e, no caso do seguro-desemprego recebido indevidamente, consequências criminais.

Se a empresa decidiu dispensar você e apresenta o acordo como se fosse a única opção, isso é dispensa disfarçada — e pode ser questionado.

Cuidados antes de assinar

A homologação sindical deixou de ser obrigatória com a reforma de 2017, mas nada impede que você procure o sindicato para conferir os cálculos antes de assinar.

Perguntas frequentes

Posso receber seguro-desemprego depois do acordo?

Não pelo contrato encerrado em acordo. A lei exclui expressamente essa modalidade. Um vínculo posterior encerrado por dispensa sem justa causa pode gerar o direito normalmente.

A empresa pode me obrigar a aceitar o acordo?

Não. O acordo depende de vontade das duas partes. Se a decisão de encerrar partiu da empresa e ela impõe o formato, trata-se de dispensa disfarçada, passível de questionamento judicial.

O que acontece com os 20% do FGTS que não posso sacar?

Permanecem na conta vinculada, rendendo, disponíveis para saque futuro em qualquer hipótese legal — nova demissão sem justa causa, aposentadoria ou compra de imóvel.

Preciso de homologação no sindicato?

Não é obrigatória desde a reforma de 2017, para nenhuma modalidade de rescisão. Ainda assim, a conferência dos cálculos pelo sindicato é gratuita e recomendável.

Compare acordo x dispensa sem justa causa

Troque o motivo do desligamento na calculadora e veja a diferença em reais nos dois cenários.

Simular os dois cenários →
Espaço reservado para anúncio